IDADE MÉDIA: O CONHECIMENTO
O período conhecido como idade média compreende os séculos V até o XV e se divide em alta idade média (V – IX) e baixa idade média (IX – XV) ambiente que prevalece a crença religiosa cristã e um grande apelo ao sobrenatural, porém a partir do século IX esse quadro se contornará devido a diversas mudanças politicas, sociais e econômicas remodelando ao poucos o pensamento medieval.
A pesar do século IX a XV ser supostamente uma era de ignorância e superstições, onde as ideias eram massacradas pelo pensamento religioso havia, contudo, um pensamento lógico e sistemático do homem medieval perante o mundo. Um mundo bastante incomum e que constantemente surgem relatos de ser sobrenaturais apontados por eles, a famosa lenda dos homens com cabeça de cachorros, pessoas verdes e até mesmo homens descendo do céu, nenhuma dessas histórias é vista como imaginação e sim como relatos verídicos. E sem sabe direto como se comportar perante tantas visões os pensadores medievais recorriam ao maior conhecimento da época: A bíblia, tal livro divide a existência em três categorias: os animais, os homens e os espíritos (anjos e demônios), porém muitas visões não constavam nelas.

Além disso, podemos constatar a visão da época através do seu mapa-mundi, feito por volta de 1300 pelo Hereford, trata-se de uma complexa representação do espaço físico da terra conhecida pelos medievais e que não tinha a função de mostrar o caminho ou rotas para as pessoas e sim mostra como eles imaginavam que o mundo era.
O mapa se apresenta com três continentes: na parte superior temos a Ásia, na parte inferior do lado direito encontra-se a África e do esquerdo a Europa. Esse mapa mostra ainda o pensamento que se tinha na época em relação ao mundo, por exemplo: no centro dele está à cidade de Jerusalém o que foca a religiosidade desse período, um pouco acima temos a crucificação de cristo (imagem a esquerda). Em vários pontos percebemos imagens de sereias, unicórnios e homem cão onde todos estão em locais que eles imaginavam que iriam encontrar essas espécies.
Na parte superior do mapa, temos ainda, a visão de futuro da bíblia, o juízo final, Deus acolhendo as boas almas e encaminhando as ruins para o inferno. Mostrando assim o caráter religioso que compõem essa sociedade, e o que efervesciam os debates da época, lugar onde o humano e o sobrenatural coexistiam normalmente. O que pode parecer estranho, porém não se pode deixar de pensar de que ser tratar de uma logica extremamente religiosa de se enxergar o mundo. Apesar de ser uma época onde as pessoas tinham “sede” por conhecimento, todas as formas de conhecimentos estavam trancafiadas em bibliotecas dos monastérios, onde literalmente apenas monges e padres tinham acesso aos livros. Dessa forma eram eles os interpretes do mundo, e naturalmente o conhecimento era usado para se chegar a Deus. As composições dos livros consistiam de uma forma uniforme mostrar que o mundo foi criado por Deus a serviço do homem, e não é raro encontrar explicações morais e espirituais de tudo, e como os homens devem viver e fugir das artimanhas do diabo.
Porém todas essas superstições e religiosidade tiveram abalos ainda durante a idade média, quando mudanças significativas começaram a se desenrolar no mundo medieval, o crescimento das cidades, o surgimento de guerras, quebra de barreiras culturais motivados pelo comércio e governos cada vez mais complexos provocaram mudanças além da estrutura física da Europa exigiu também uma mudança social, pessoas com novos comportamento e competência para gerir um estado cada vez mais complexo, sendo que só um estudo bíblico já não era mais o suficiente. Foi assim que um grupo de clérigos de Oxford reuniram-se para ensinar direito e outras disciplinas totalmente seculares e tudo em troca de dinheiro e muitos jovens virão isso como uma oportunidade de seguir uma profissão sem ter que virar padre ou monge, um conhecimento que não tinha o objetivo de se aproximar de Deus.
Começou de forma quase clandestina, mas, porém por volta de 1214 acabou se tornando oficial, onde se implantou um currículo estudantil e provas de aprovação final e outros recursos criando assim a universidade britânica assim como é atualmente. Após Oxford veio à universidade de Cambridge como concorrência e aos poucos homens ricos e até reis começaram a montar suas próprias universidades, tendo agora um lugar que distanciava totalmente do que se aprendia nos monastérios europeus, matemática, filosofia e até logica. Contendo agora uma forma ensino investigativo era possível que o fim do monopólio dos monges sobre o conhecimento estava chegando ao fim.
Inicialmente parece uma pequena incisão do modelo medieval, porém a ofensiva atenuante da Europa levaria o pensamento intelectual ao um nível nunca esperado por eles, eram as guerras contribuindo para aceleramento intelectual do homem. Entres os séculos XI e XII os espanhóis conquistaram a cidade de Toledo no sul da Espanha onde dominavam os árabes desde a Expansão Árabe (630-750)[i], sem duvida uma grande conquista para os guerreiros cristãos. Dentro das muralhas árabes foram encontradas imensas bibliotecas com grandes novas ideias até então desconhecidas dentro da Europa como astronomia e geometria, porém o conhecimento de maior impacto para a sociedade da época foi as obras de Aristóteles, estava aberta a grande revolução intelectual dentro da Europa, homens ardo por conhecimento viajam a vários quilômetros para chegar a Toledo a fim de conferir de perto essa nova gama de conhecimento.
O grande choque provocado pela entrada do pensamento aristotélico consistia na questão mais profunda da sociedade medieval: a origem do mundo. A Europa estava acostumada a entender o mundo sob o prisma da bíblia, onde Deus criou o mundo universo em 7 dias e que controlava todas as coisas, os gregos partiam de um olhar totalmente diferente. Aristóteles e seus contemporâneos viverão por volta do século IV a. C e não tiveram a concepção da bíblia em seus pensamentos provocando uma percepção não cristã sobre mundo, onde para eles o mundo sempre existiu e continuaria a existir o que isso certamente tirava Deus do comando do mundo, foi a primeira vez os cristão se deparam com um olhar cientifico e sistemático e até mesmo natural sobre o universo, e claro a igreja reagiram fervorosamente proibindo ameaçando até com a excomunhão.
A situação se complicava para a igreja cristã, pois se tratava de um conflito entre a fé e a razão de uma forma ou de outra era ela que sairia perdendo. Era necessária uma solução para a manutenção da fé cristã e quem trouxe ela foi Tomas de Aquino. Compreendendo que ou igreja sufocava Aristóteles ou seria fatalmente seria suprimida por ele, apresentou a ideias que: o pensamento foi criado por Deus então a razão também emerge Dele sendo assim a bíblia que são os dizeres do Pai deve ser levado como verdade sempre e assim Aquino usou e transformou todos os pensamentos de Aristóteles em uma arma para fortificar a igreja católica ainda mais.
A questão a se pensar é que os primeiros pensadores medievais se preocupavam com coisas como “homens verdes”, “sereias” e coisas desse tipo, mas seus sucessores vivem um momento único uma visão racional e intelectual do mundo no qual vivem, certamente uma evolução enorme.
Mas o encontro com os árabes trouxe muito mais que uma introdução a Aristóteles os árabes se destacaram principalmente pelo desenvolvimento da ciência e claro conquistaram a admiração dos europeus e com esse contato o conhecimento avançou mil anos em apenas um século inaugurando uma era de ciência dentro da Europa, com a introdução de métodos experimentais para chegar a conclusões, como escreveu o pai da ciência Roger Bacon: “Tudo deve ser confirmado pela ciência”. Bacon descobriu, por exemplo, que as cores de um arco-íris era nada mais da ilusão de ótica provocado por luz e água. Tudo serve para mostrar desencantamento do homem em relação ao mundo e que a crença que Deu controla ele estava cada vez mais se extinguindo.

Desse período destaca uma das mais famosas obras conhecidas atualmente, trata-se do livro: As viagens de Marco Polo. Nele conta-se varias histórias vivida por ele após ter deixado sua cidade natal, Veneza, e partido para a China, em sua trajetória ele depara com cidade maravilhosas e imensas que estava foram da capacidade de entendimento dos medievais e paisagem de desafia a compreensão de todos: “o deserto é tão extenso que levaria uma ano para ir de uma ponta a outra. Não há nada para se comer”. Comerciante e Mercadores corriam para a China, enfrentavam o mediterrâneo afim de conseguir trocar ideias, mercadorias e tecnologias.
Porém com a derrota dos mongóis as porta para o oriente foram novamente fechada, mais ficou o anseio de uma conciliação com o oriente, preciso achar uma nova rota para isso, um homem fascinado pelos contos de Marco Polo e pela geografia da terra colocou uma teoria radical para funcionar, chegar ao leste partir para outro oeste, seu nome era Cristóvão Colombo, baseado na teoria de Copérnico de que a terra era redonda, Colombo patrocinado pela coroa espanhol embarca na missão de chegar ao oriente.
A descoberta casual da América por Colombo põe inicio de um novo contato com outras culturas. Começava o período de globalização e colonização da Europa. Essa passagem marca o fim do período medieval e da inicio ao período moderno da história, um período marcado pelas descobertas, expansões e conquistas e o desencantamento do mundo estava quase completo.
[i] Expansão árabe é o período de união e marcha dos árabes (guerra santa) introduzido pelo profeta Maomé e continuado por seus descontentes dominando parte da Ásia, o norte da África e o sul da península Ibérica sendo barrado pelo líder carolíngio Carlos Martel.









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